sábado, 28 de junho de 2008

E é isso que cretinos fazem: Te conquistam, o faz você amá-lo, depois ferram com tua vida. Ou pelo menos tentam, não é mesmo? Boa tentativa, mon amour, mas não foi dessa vez. Tente de novo, okay? E da próxima vez, vê se faça bem feito, pois talvez algo bem feito, possa realmente me atingir nem que seja um pouquinho.

Bando de ridículos.

domingo, 22 de junho de 2008

Quase cinco anos depois do primeiro beijo, ela ainda sentiu aquela sensação do frio na barriga, da tremedeira, do ar não vir enquanto respirava. E não, ela não estava prestes a beijar ninguém. Elas estava apenas diante do autor, daquele que havia compartilhado seu primeiro beijo.

Há cinco anos atrás, sua mentalidade era infantil demais, ela era apenas uma criança. E realmente, ela sentiu todas aquelas sensações, nas quais uma exata criança sentiria. Hoje, ela não era mais criança... E então porque, todas aquelas sensações voltaram? Ela não sabia.

O que se passava em sua cabeça, era apenas a cena do beijo, e as piores cenas, de três anos e meio atrás, de quando ela corria atrás dele, como uma sombra, porque se dizia apaixonada por ele. E de fato, ela dava suspirinhos quando ele passava por ela, e torcia para que apenas, ele a olhasse, nem que fosse por frações de segundos.

Os anos se passaram, e ele foi embora. Havia dois anos, ou bem mais que isso, que ela não o via. Ela havia esquecido dele, mas não completamente. Então, lá vai ela, para uma festa junina, apenas para rever colegas, matar as saudades dos que iriam.

Antes, uma outra amiga, havia ligado para ela, e pedido para que lhe comprasse cigarros. E foi assim que ela fez. Chegou a padaria próxima ao colégio, e pediu um maço de cigarros. Ao entrar na padaria ela viu um rosto conhecido, e realmente não ligou. Rolou seus olhos para o lado daquela pessoa. Era ele.

Pronto, foi o suficiente, para ela começar a tremer. Ela havia reparado, que ele tinha a encarado nos olhos por algum tempo, e ela rapidamente desviou-os para pedir os cigarros. Supirou algumas vezes e a moça do caixa perguntou à ela se estava tudo bem. Ela sorriu e balançou a cabeça que sim, saindo rapidamente daquele local.

Ela contou para uma, duas, três, quatro pessoas. Todos pareciam não entender o que se passava dentro da cabeça dela. Então, ela desistiu de tentar explicar, ou de tentar entender. Desistiu também, qual foi o porque de ele ter aparecido assim, do nada e novamente, em sua vida.

Ela acreditava muito em destino, e acreditava que aquilo não foi por acaso.

Ela andava de lá para cá pelo colégio, cumprimentando um e outro, e sempre que olhava ao redor, ele estava próximo. Ela sentiu vontade de ir até ele, e ela também sentiu a mesma vontade nele, porém, apenas uma troca de olhares e um sorriso foi o "cumprimento" deles.

Ela voltou pra casa, e ainda esteve pensando nisso. Na verdade, ela está pensando até agora...
Já está mais do que provado que a coisa que todos temos certeza na vida, é a morte. Poucos acreditam que exista uma vida após essa, mas ainda sim todos tem plena certeza que há um fim de uma vida, dessa vida.

A outra certeza que é garantida é a mudança.

Talvez muitos conservadores, isolem esse fato, ou simplesmente finjam que ele não existe. Porém, existe. Mudança... Qual pessoa não muda na vida? Psicologicamente, fisicamente. Mudam suas idéias, mudam suas virtudes, aprendem a ser mais conservadores, ou talvez mais liberais. Aprendem também com as patadas da vida, com o sofrimento, e até, com talvez, uma paixão perdida.

O fato é que tudo muda. Não só em si mesmo, mas em toda a sua volta. Mesmo você obrigando-se a viver na sempre mesmisse, alguma coisa à seu redor vai mudar. Se não fosse, pela mudança, talvez ainda estivéssemos na idade da pedra, com as rodas de carros quadrdas, ou até um pouco mais a frente, achando que o mundo é quadrado.

Não há como fugir, mudança é algo certo, exato. Tão exato quando a matemática, tão certo quanto o apocalipse. Enfim, chegamos ao ponto indiscutível: Todos nós sofremos mudanças. Alguns para pior, mas a maioria sempre muda para melhor. Melhora diante dos fatos da vida, melhora por escolha própria e melhora até, por obrigação.

Pessoalmente dizendo, eu posso dizer, que ando mudando muito. Que... Mudei muito, de apenas alguns poucos anos para cá. De uma pessoa retraída, eu consegui me transformar, em um extrovertida. De chata, eu passei a ser legal, primeiramente comigo mesma, para depois ser legal com os outros. De isolada, passei a ter quase que uma centena de amigos. De sonhadora para realista, e, infelizmente de realista, para pessismista.

Eu deixei meu passado obscuro todo para trás, deixei amigos, que eu não queria, e deixei manias para trás. Infantilidade, brincadeiras sem nexo. Coisas de crianças, ou até mesmo pré-adolescentes. Hoje, aos dezoito anos, me vejo uma mulher. Não ainda formada, pois preciso de ainda muito toques de maturidade, mas ainda sim uma mulher, realizada.

Universitária, empregada. É uma obrigação, mudança. Eu, talvez ainda gostasse da folga do dia-a-dia, quando eu tinha meus apenas 15 anos, mas talvez eu goste mais da liberdade que tenho aos 18, mesmo com todas as grandes responsabilidades à frente.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Sentiu os joelhos perderem a força e irem contra o mármore gélido do chão. Mármore este que logo era tocado pelas palmas de suas mãos trêmulas e pressionado contra o seu rosto sem expressão. O corpo todo tremia de frio, e não o frio da noite, o frio do chão. O choque térmico tornando-se cada vez mais insuportável ao invés de logo parar de incomodar. E por mais sem forças que o corpo inerte estivesse, recusava-se a render-se. Esperava-se que logo desmaiaria, mas foi o contrário. Seria obrigado a assistir todo o processo novamente.

O quarto inundava-se. A dor, rasa quando ele chegara, agora reagia violentamente. As ondas quentes tocavam-no o corpo sem pudor, afundando-o por completo. Mas a torpência de perder-se nas águas escuras e profundas não durou mais do que um segundo; como se um ralo estivesse alastrando-se no meio de seu corpo, um buraco fundo sorvia de toda a dor quente e violenta que sercava-o, até estar completamente seco e sozinho. Sozinho com o buraco, agora largo e confortável no interior machucado do corpo ainda inerte.

As bordas, em carne-viva, ardiam como se estivessem sendo tocadas por brasas. Seus órgãos vitais pareciam não sentir as chamas queimando-lhe o buraco; em trapos, machucados e cobertos de sangue, estavam frios, congelados pela falta de funcionamento repentina. Seus pulmões encontravam-se frustrantemente sem funcionamento, e sua busca por ar era inútil. E seu coração... Ah, seu coração! Costurado de volta ao lugar que, supostamente, nunca deveria ter sido arrancado. Maldito coração, rasgado no meio. Brutalmente machucado, inundava o interior em chamas com seu sangue, apagando-as vagarosamente. Imagens, palavras, lembranças, todas elas queimavam dentro das chamas apagando-se, afogavam-se em meio as cinzas e desapareciam. Seu peito era aberto com lentidão precisa, cirúrgica. As cicatrizes da última vez queimavam, queimavam como nunca haviam queimado antes, com todo o seu poder de infligir dor. O buraco rugia, lutando contra todo o processo. E o coração sangrento pulsava em desespero, sendo agarrado bruscamente e atirado longe. O buraco perdia a força, a intensidade, e acalmava-se no interior.

Com as costas apoiadas contra a parede, agora ele podia enxergar todo o cenário. Seus olhos finalmente enxergavam, e queimavam pelas lágrimas que recusaram-se a cair. Precisou abraçar os próprios joelhos para conseguir manter-se inteiro durante o processo, e agora seus braços caíam doloridos ao lado do seu corpo suado, cansado e gelado. A indiferença e o descaso voltavam a inundar o corpo machucado. O brilho dos olhos desaparecia junto com as lágrimas que tentaram formar-se, sendo substituído pelo desfoque, pela inexpressão. Recolheu todas as forças que deixara do lado de fora do quarto trancado, e pôs-se de pé. Caminhou, vacilando diversas vezes antes de conseguir aproximar-se da janela. Olhou para o dia nascendo, a luz do sol queimando-lhe os olhos verde oliva sem-vida. Os raios de sol batiam contra a pele pálida, translúcida. A brisa matinal encontravam os membros insensíveis do corpo interiormente machucado. Caminhou, agora mais forte, até o órgão sangrento atirado em um canto do quarto e agarrou-o com cuidado. Apertou os dedos com toda a força que o seu ser possuía, sentindo as pernas fraquejarem por conta disso, e atirou-o pela janela, vendo-o desaparecer no céu róseo. Os joelhos tocavam novamente o chão. A força agora inundava-o quente como a dor. Rasteja até a cama, forçando os joelhos para pôr-se de pé e largar o corpo exausto nesta.

Um som invade o quarto, incomodando seus ouvidos. Leva alguns segundos para entender que o som era proveniente do aparelho telefônico esquecido em sua mala. Pega-o. Atende-o. Ouve-o. Algumas palavras, e o órgão pulsante renascia em seu peito, cortando-se. A dor nunca deixaria-o em paz. Não de novo. Não mais. Mas não pôde deixar de confortar-se com a dor. Não pôde deixar de abraçá-la, com as chamas internas confortando-o estranhamente.

Eu amo você, Meu Amor. Eu amo você de verdade.


Doze de dezembro de dois mil e oito.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Vejo sangue escorrendo pela minha face. O espelho está a minha frente e há horas, eu estou olhando o grande corte em minha testa, através dele. Minha imagem reflete uma imagem acabada, olheiras imensas, e um traço torto, que parecia ser minha boca. Ela estava seca, sem brilho e cortada.

Eu, estava sentada, com pernas cruzadas. Um short, e uma camiseta preta. Estava frio, minhas pernas, brancas como velas, estavam pigmentando uma cor meio arroxeada. Meu corpo, tremia violentamente. Frio, muito frio.

A droga da universitária caloura, parecia mais uma doente depressiva, do que alguém que poderia chegar sequer perto de algo feliz, ou sorrir. Era apenas mais uma crise, e uma sensação estranha de que iria morrer. O ar lhe falta vez ou outra, e ela permanecia sentada, com as pernas cruzadas. Algumas músicas lhe passavam pela cabeça, e outras ela escutava. As duas se misturavam.

O pequeno espelho foi largado em uma canto qualquer, o celular foi pausado. Ela levantou-se então, e começou a dedilhar o violão. Grande babaca, mal sabia manuseá-lo! Algumas notas conhecidas saíram dele. Ela assustou-se, pois não sabia que era capaz de fazer aquilo.

Algumas lágrimas percorreram por sua face, e a impressão súbita de que iria morrer, voltou.


Por noites, ela passaria por aquilo. E sem saber o porque, estava dando vida a algo irreal, mais uma vez.
Desde que você se foi fiquei perdido, sem rastros. Sonho de noite e só consigo ver o seu rosto. Olho ao redor mas você é insubstituível. Sinto-me frio e almejo seu abraço. Fico aqui implorando, baby, baby, por favor. (The Police).

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Eu poderia ficar acordado só para ouvir você respirar. Ver o seu sorriso enquanto dorme, enquanto você está longe e sonhando. Eu poderia passar minha vida inteira nessa doce rendição, eu poderia me perder neste momento para sempre. Todo momento que eu passo com você é um momento que eu valorizo. Não quero fechar meus olhos, não quero pegar no sono, porque eu sentiria sua falta, amor. E eu não quero perder nada. Porque mesmo quando eu sonho com você - O sonho mais doce nunca vai ser suficiente - Eu ainda sentiria sua falta, amor. E eu não quero perder nada. Deitado perto de você, sentindo o seu coração bater, e imaginando o que você está sonhando. Imaginando se sou eu quem você está vendo. Então eu beijo seus olhos e agradeço a Deus por estarmos juntos. Eu só quero ficar com você, neste momento para sempre, para todo o sempre.

Não quero perder um sorriso, não quero perder um beijo. Bom, eu só quero ficar com você. Aqui com você, apenas assim. Eu só quero te abraçar forte, sentir seu coração perto do meu, e ficar aqui neste momento, por todo o resto dos tempos.

sábado, 14 de junho de 2008

Alguém já sentiu a paz, de ver uma criança dormindo? Já sentiu, aquele pequeno corpo, tão indefeso, deitar-se sobre o seu, e dormir, sentindo-se seguro? Alguém já chorou ao ver a inocência de uma criança, que ainda está descobrindo a vida, as coisas, e por pior que seja.. As maldades do mundo no qual ela vive?

São coisas que realmente não têm preço, nada paga, e nada substitui. O cheirinho que elas exalam, não são apenas de roupas limpas, ou de um azedinho, quando precisam de um banho. É o cheiro da vida, o cheiro da inocência, e o cheiro da essência da vida. Ah, se eu me lembrasse de como era minha vida nesses maravilhosos tempos.

Eu às vezes gostaria de ainda estar lá, e de nunca passar dessa fase. Gostaria... De não precisar viver num undo tão cruel, cheio de coisas ruins, e pessoas fúteis, importando-se apenas com seu próprio nariz, assim pisando em cima dos menos privelegiados monetariamente dizendo.

Eu tenho vivido intensamente pequenos momentos, deixando brincadeiras de lado, dando mais valor a vida, as pessoas ao meu redor. Sei, que... Ao menos posso sentir quele cheio de inocência por um bom tempo ainda, e que posso aproveitá-lo. Vou sim, aproveitá-lo. E de uma pessoa, que nunca diria ser mãe, está aqui, meu desejo exposto.

Não há nada, nem ninguém que pague amor, que pague carinho, que pague ternura. E com certeza não há nada que pague o sorriso retribuído de uma pequena inocente. E é isso que eu quero carregar comigo, coisas impagáveis. Porque elas, são as melhores coisas que existem nesse mundo, tão sem amor.

Cuide do que é seu, cuide do que possa ser seu, e cuide também do que não seja seu.

(Mariana, onze meses).

sexta-feira, 13 de junho de 2008

If I close my eyes forever...

(Desabafo, parte 2) - "Ashes."

Lá estava eu, sentada numa calçada qualquer, no meio da rua. No relógio, marcavam-se duas horas da manhã e alguns minutos nos quais não me recordo. Eu havia saído de casa há muito tempo, e aparentemente, a noite estava limpa, mas fria, muito fria. Eu mal sentia meu nariz, e todos os pêlos de meu corpo arrepiavam-se a cada vez que o vento batia forte. Na minha mão, havia uma caixa de cigarros, marca Marlboro, vermelha. E acompanhada à ela, uma isqueiro, amarelo. Eu mal sabia o que fazer com eles, já que minha vida de fumante poser tinha acabado há um certo tempo.

Enfim, retirei um cigarro de dentro do maço, e com dificuldade, por causa da ventania, tentei, por várias vezes, acender o isqueiro. Fiquei nervosa com a cirscunstância e ergui alto minha mão para tacar o isqueiro ao chão com toda força. Foi quando algo, impediu-me de fazer isso. Expressando-me melhor: Uma mão segurou meu braço pelo punho.

Meu corpo, gelou, inteiramente, se é que... gelar mais, fosse possível. Olhei para cima, e um rosto muito branco, olhava para mim. Não disse nada, mas aquele homem me pareceu muito estranho. Vestia um sobretudo preto, com capuz, os cabelos caídos em um dos olhos, e tão negros - ou mais- que a noite que pairava sobre nós. Ele falou baixinho, e para minha surpresa, ele não queria de forma alguma, me fazer mal. "Eu posso usar seu isqueiro?" Depois disso, ele me sorriu, mas não senti firmeza, nem vontade naquele sorriso fraco, apenas labial. Devolvi um singelo sorriso, e ele soltou meu braço, e logo, estendi-lhe a mão entregando-lhe o isqueiro.

Ele o pegou de minha mão, e sentou-se vagarosamente ao meu lado. Tirou do bolso interior de seu sobretudo, uma caixa de cigarros, nela escrito L.A. Retirou um cigarro do maço, e com uma facilidade incrível, acendeu o isqueiro, queimando o tabaco, logo puxando um grande e longo trago. Meu queixo provavelmente estava caído, porque era incrível, como até o vento estava a favor daquele homem. Ele olhou para mim, e ofereceu-me um trago, aproximando o cigarro de mim. Eu olhei bem para o cigarro e depois a ele, fazendo isso alguma vezes, disfarçadamente, e logo disse: "Não, obrigada. Eu não fumo." Ele provavelmente me achou a garota mais idiota do mundo, pois deu uma breve risada.

Enfim, joguei aquele maço, quase cheio para trás, e dei um longo suspiro. Ele, repetiu o suspiro, agora, com um dos braços apoiados na perna e, na mão, ele segurava com uma preguiça imensa o cigarro, entre os dedos indicador e médio. Observei-o por longos minutos, e reparei, que lágrimas escorriam de seus olhos, deslizando por suas bochechas, e por entre sua barba mal feita, caindo livremente ao chão. Resolvi ficar calada, mas vi que o fluxo das lágrimas aumentavam cada vez mais, e então criei coragem e perguntei: "Porque está chorando, grande homem?"

Ele não me olhou, e nem fez sequer esforço para secar as lágrimas, apenas continuou derramando-as. Olhei para frente, e observei algumas árvores que haviam no local, que ainda estavam sendo iluminadas pela luz da lua, fraca. Deixei o homem em paz, já que nunca tinha visto um chorar. Após alguns minutos de silêncio total, ele respondeu, fungando duas ou três vezes, logo depois tragando mais um vez seu cigarro. Eu perdi minha garotinha. Não entendi, mas permaneci calada. Logo, ele voltou a falar.

Eu a perdi. Ela deve estar andando por algum lugar, sozinha, correndo algum perigo. Eu não sei onde ela está, eu... Ele me olhou nos olhos, e pela primeira vez vi o brilho de seus olhos. Não por estarem brilhando, mas apenas pelo fato de estarem encharcados. Seu semblante era pavoroso. Olheira imensas, barba sem fazer a no mínimo uma semana. Então, ele jogou o cigarro fora, e abraçou as próprias pernas com os braços. Suas luvas a meio dedo, pareciam velhas, pois tinham alguns fios puxados da lã.

Um calafrio tomou conta de meu corpo, e uma súbita vontade de ajudá-lo, me fez levantar e sentar na frente daquele homem, no meio da rua mesmo, e voltar a encará-lo. Ele levantou o rosto vagarosamente, e me encarou, ainda deixando suas lágrimas percorrerem livremente por seu rosto. Ele novamente voltou a falar. Quer ouvir minha história? Eu, estava realmente interessada em saber o que aflingia aquele homem, já que ele me pareceu tão inquebrável, e sem medos logo de vista.

Balancei a cabeça que sim, e logo, ele começou a falar.

É uma história de amor, daquelas dignas de cinema. Eu sorri, e esperei que ele continuasse, atenta. Éramos amigos, e nada parecia se encaixar. Brigávamos muito, e tínhamos poucas coisas em comum. Nós também tínhamos ficado umas duas ou três vezes, e ele era apenas um amigo, mesmo. Um certo dia, eu percebi que ele não era mais meu amigo. Ele era aquele, com eu queria ficar. Oras, eu era apenas um pivete, mas sabia que o amor estava me chamando. Namoramos por pouco tempo, e logo nos casamos. Uma praia deserta, o padre.. E nossas crianças. Trocamos alianças, e sem nem sabermos a grandiosidade daquele momento, selamos o começo de um amor sem fim. Moramos naquela casa em frente a praia, por alguns meses, e nos separamos, pela primeira vez. Ele saiu de casa, e eu sofri, claro. Ele voltou. Nós voltamos. Amor não faltava, mas ele pisou na bola pela segunda vez e sumiu do mapa. Eu sentia tanta falta dele... Deus sabe. Pronto, superei. Ele estava com um outro cara. É, ele havia me trocado por um outro cara. Eu estava com uma garota, uma amiga também, veja a ironia.
Um dia, ele resolveu me dizer, outras coisas, nas quais me fizeram ser o pior cara do mundo pr'aquela garota. Ele disse, que mesmo se morresse mil vezes, nós nos amaríamos, e que.. Ele sabia, que não adiantava eu negar, que eu o amava. Ele estava certo. Nunca vou amar alguém como o amo. Viramos amantes. Ardentes amantes. Mas isso não bastava para nós. Queríamos mais. Queríamos gritar para o mundo, que nós sempre seríamos amantes. Que nosso amor nunca acabaria, independentemente do que fosse. Muitas pessoas perguntavam-nos onde cabia tanto amor, e nós nunca sabíamos responder. Na verdade, costumávamos dizer, que era amor de alma. E apenas chamávamos de amor, por não haver outra palavra para substituir algo maior que amor. Nossas almas estavam codificadas, e por mais mil anos, nós nos amaríamos, sempre, e a cada dia mais.

Nos casamos pela terceira vez. Foi algo só nosso, feito a sangue e alma. Colocamos nossas alianças, e aí sim, era a TERCEIRA, e ÚLTIMA vez. E qua dali pra frente, nada e nem ninguém poderia acabar com nosso amor. Dito e feito.

Ele começou a soluçar, de tanto chorar, e eu me assustei. Não entendia porque, mas lágrimas também percorriam por meu rosto. Era uma linda história. Mas, até agora, eu não entendi o porque de tanto choro, se a felicidade dele parecia imensa, infindável. Ele, abaixou a cabeça, e aparentemente não consiguia mais falar. Esperei que se ele se acalmasse, mas em vão. Mesmo assim, ele voltou a falar.

Nosso terceiro casamento, durou pouco mais de um mês. Ele quis dar um tempo, e saiu de casa. Ficamos três dias afastados, e eu resolvi tomar uma decisão. Escrevi uma carta, a pior de toda minha vida. Uma carta de despedida, dizendo que eu não queria mais, que eu não poderia mais suportar as saudades dele, e.. que dessa vez, eu iria embora. Enfim, ele chegou em casa, e eu estava-o esperando no sofá, com o álbum, nossas... fotos. A minha garotinha, ah.. Deus. Dormia no sofá, e James, meu garoto, estava adormecido no quarto. Ele largou a mochila no chão, e veio ao meu encontro. De alguma forma, ele já sabia que eu ia deixá-lo, ele pressentiu. Foi na hora que ele puxou minhas vestes, rasgou algumas delas, chorando desesperadamente. Minhas mãos tremiam, e meu semblante era exatamente esse que está vendo agora. Eu chorava tanto... Que eu mal conseguia respirar. James acordou com o barulho, e Penelope também, acordara chorando. Minhas malas estava largadas por toda sala, e vi James correr por entre elas, agarrando tentando agarrar a irmã, que havia saído correndo pela porta da sala, chorando. Enfim, ele conseguiu agarrá-la no meio do hall.
Meu... pequeno, me olhava penosamente, e eu estava com medo do que ele pudesse fazer, em ato desesperado. Eu me despedi, enfim. Aquela cena me martirizava.

Entreguei a carta nas mãos dele. Ele trancafiou-se no quarto. Comecei a levar as malas pra fora da casa, e chamei James, segurado pela minha mão. Eu não vi mais Penny depois disso. Ouvi um estampido muito alto, vindo do quarto, e eu já sabia o que era.

Ele pôs as mãos no coração como se estivesse sentindo um dor horrenda, e seu choro, misturados a gritos de dor, me assustavam cada vez mais. Ele chorava feito uma criança, e decidi ajoelhar-me para abraçá-lo. Passamos vinte ou trinta minutos assim, ele me apertava forte, e eu retribuia, tentando passar-lhe segurança. Eu também estava chorando, muito. Ele ainda quis terminar sua história. Mas eu não aguentava mais ouví-la, era tristeza demais. Mesmo assim, retirei forças de onde não havia, para terminar de ouví-la. Larguei-o e sentei de novo, ao chão, bem em frente a ele, que ainda chorava muito, mas haviam cessados os berros.

James começou a gritar deseperadamente, e foi correndo em direção ao quarto. Eu não tinha forças, mas me surgiu alguma, que me fez segurá-lo. Eu gritava junto a ele, e o abracei forte, segurando-o por trás. Enfim, consegui acalmá-lo e deixei do lado de fora, no hall, cuidando das malas. Eu estava trêmulo, e meus pés me guiavam até o quarto. Eu não queria, eu morreria se visse aquela cena, eu... Ele estava deitado de bruços na cama. A pistola disparada, estava ainda encaixada em seus dedos. Retirei-a de lá, jogando em qualquer lugar do quarto. Eu deitei por cima do corpo. Mexi em seus cabelos, e minhas lágrimas juntaram-se ao sangue, derramado em lençóis, qua era tão brancos antes. Passei um tempo lá, eu não sei dizer quanto, mas apenas fui surpreendido pela voz de James. Ele me chamou pelo nome. Eu levantei, de cima do corpo, e beijei-o no rosto dizendo "Boa noite, meu bebê". Fechei a porta do quarto, e dei a mão, carregando James pra fora. Eu apenas queria acreditar, que ele fosse acordar no dia seguinte, com toda aquela disposição, ou então me atrasando para o trabalho apenas por querer um chamego a mais. Mas não houve nada disso. Não houve depois.

"Depois daquilo, eu não sei o que houve. Devem tê-lo achado."


Minha boca não fechava mais, e eu mal enxergava o rosto daquele homem, de tantas lágrimas que corriam por minha face. Ele continuou a dizer, que estava morando numa pensão, pois não queria incomodar ninguém com sua presença horrenda. James estava com ele, e ele necessitava encontrar Penny, que havia sumido desde o dia da morte do pai. Ele também havia comentado, que o corpo do marido, havia sido cremado, e que por azar, mais uma vez, ele havia chegado atrasado ao funeral.

Ele me pediu ajuda para encontrar Penny, pois ela era a melhor lembrança viva, de seu pequeno. E ele a havia perdido, ele havia jurado para si mesmo, que não descansaria até encontrá-la. Eu prometi ajudar a encontrá-la, mesmo sem saber nem por onde começar. Foi quando alguma coisa me disse, que eu sabia onde estava Penelope. Mas é claro que sim! Penelope foi achada por uma amiga minha.

Eu disse isso a ele, e um sorriso fraco brotou em seu rosto, inundado de lágrimas.

O destino é mesmo a meu favor. Quero ver Penny. E ah, obrigado por me ouvir... e Deus, obrigado por ter me mostrado o caminho.

Era inverno, mas o vento havia dado uma pausa. Aquele homem, tão robusto, tão cheio de si, estava acabado por dentro. Ele me disse que não havia nada dentro de seu coração, exceto o que ele carregava lá desde setembro. Dia 13 de setembro. Eu prometi levá-lo até essa amiga minha, no dia seguinte. Ele disse que me encontraria no mesmo lugar, onde nos encontramos. O pior de tudo, não foi ouvir tudo aquilo dele. O pior, foi ter a sensação de qua aquilo, tivesse acontecido comigo, como se eu estivesse na pele dele.

Eu caminhei de volta para casa, estava pronta para uma bronca. O sol já haviam saído, mas estava bem preguiçoso, às quase seis da manhã. Caminhei tranquilamente, até chegar a um padaria, onde parei para tomar um café. Sentei-me no banquinho, e observei a padaria, pequena, mas bem organizada, enquanto esperava meu café. O caledário, marcava dia 13, sexta-feira. Vai ver eles são superticiosos. Ou então, seria coincidência demais.

E, a propósito... O nome dele era Theodore.

Teste das cores.

Como você opera, age, frente aos seus objetivos e desejos:
Necessita urgentemente de descanso, relaxamento, paz e compreensão afetuosa. Sente que tem sido tratado com desconsideração e por isso esta abalado e agitado. Considera sua situação intolerável enquanto não concordem com suas exigência.

Sua necessidade de sentir-se mais produtivo e ter esfera mais ampla de influência torna-o inquieto, e é impulsionado pelos seus desejos e esperanças. Talvez tente ampliar suas atividades num campo demasiado vasto.

Suas preferências reais:
É autoritário ou está em posição de autoridade, mas sujeito a sentir que maior progresso torna-se problemático, pelas dificuldades presentes. Persevera, a despeito de oposição.

Necessita de, e insiste nisso, uma relação íntima e compreensiva, ou pelo menos algum modo de satisfazer a compulsão de sentir-se identificado.

Sua situação real:
Está disposto a envolver-se emocionalmente e é capaz de conseguir satisfação na atividade sexual.

Sente que não pode fazer muito, quanto aos seus problemas e dificuldades presentes, e que deve conformar-se com as coisas como são. É capaz de conseguir satisfação através da atividade sexual.

O que você quer evitar:
Interpretação fisiológica: Recusa-se a descontrair-se ou a ceder. Mantém o esgotamento e a depressão afastados pela atividade.
Interpretação psicológica: A situação ou relação atual é insatisfatória, mas sente-se incapaz de alterá-la criando senso de participação de que precisa. Reluta em expor sua vulnerabilidade e, portanto, continua resistindo a esse estado de coisa, mas sente-se dependente da ligação. Isto não só o deprime como o torna irritadiço e impaciente, provocando considerável inquietação e o impulso para fugir da situação materialmente ou pelo menos mentalmente. Sua capacidade de se concentrar pode sofrer. Em suma: insatisfação inquieta.
Interpretação fisiológica: As decepções tornaram-no desconfiado e o levaram a um afastamento isolado, obrigando-o a concentrar-se em si mesmo. Interpretação psicológica: Reprime seu entusiasmo inato e sua imaginação, por temer empolgar-se, apenas para verificar, finalmente, que está perseguindo alguma coisa ilusória. Sente que tem sido enganado e maltratado, e retraiu-se para se manter cautelosamente distante dos outros. Observa atenta e judiciosamente para ver se as intenções em relação a ele são uma precaução que se transforma facilmente em suspeita e desconfiança.Em suma: "Gato escaldado de água fria tem medo ", desapontamento emocional, sempre atento à desconfiança quanto às intenções.

Seu problema real:
Precisa proteger-se contra a tendência para confiar demais, já que julga estar sujeito a ser incompreendido ou explorado pelos outros. Portanto, está procurando uma união de intimidade tranqüila e compreensiva em que possa haver perfeito entrosamento.

A ansiedade e a insatisfação continua, seja em seus empreendimentos ou nas frustrações emocionais, têm provocado grande tensão. Sente-se incompreendido, desorientado e inquieto. Isto o impulsiona para uma busca de novas condições ou relações, na esperança de que elas possam oferecer-lhe contentamento e paz de espírito.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Fucking "Valentine's" Day.

Ele nunca me afetou. Sério.

Mas hoje está sendo diferente. Minha deprimência atingiu o êxtase. Talvez esteja sendo porque a pessoa pretendida por mim, esteja com outra, nesse exato momento, fazendo sei lá o quê. Incrível, a falta de percepção que ele tem. Ou incrível o nível de esperança que existia em mim. Bom, estou eu, solteira, em pleno dia dos namorados.

E não, a culpa definitivamente não é minha. E definitivamente a culpa não é minha, se não sou uma vagabunda qualquer. E não, não é isso que quero ser. Nem mesmo para consiguir o que eu quero. Tudo que vem fácil, vai fácil. E mais, coisas conquistadas sem dificuldade, não têm sabor, tampouco, graça. Enjoa fácil.

Talvez essa seja uma última esperança. Ou a única.
E bom, todos que me conhecem, sabem: Eu não desisto fácil.


Ah, feliz dia dos namorados pra todos que têm.