Vejo sangue escorrendo pela minha face. O espelho está a minha frente e há horas, eu estou olhando o grande corte em minha testa, através dele. Minha imagem reflete uma imagem acabada, olheiras imensas, e um traço torto, que parecia ser minha boca. Ela estava seca, sem brilho e cortada.
Eu, estava sentada, com pernas cruzadas. Um short, e uma camiseta preta. Estava frio, minhas pernas, brancas como velas, estavam pigmentando uma cor meio arroxeada. Meu corpo, tremia violentamente. Frio, muito frio.
A droga da universitária caloura, parecia mais uma doente depressiva, do que alguém que poderia chegar sequer perto de algo feliz, ou sorrir. Era apenas mais uma crise, e uma sensação estranha de que iria morrer. O ar lhe falta vez ou outra, e ela permanecia sentada, com as pernas cruzadas. Algumas músicas lhe passavam pela cabeça, e outras ela escutava. As duas se misturavam.
O pequeno espelho foi largado em uma canto qualquer, o celular foi pausado. Ela levantou-se então, e começou a dedilhar o violão. Grande babaca, mal sabia manuseá-lo! Algumas notas conhecidas saíram dele. Ela assustou-se, pois não sabia que era capaz de fazer aquilo.
Algumas lágrimas percorreram por sua face, e a impressão súbita de que iria morrer, voltou.
Por noites, ela passaria por aquilo. E sem saber o porque, estava dando vida a algo irreal, mais uma vez.
terça-feira, 17 de junho de 2008
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