sábado, 12 de julho de 2008

Depois tu foste com os olhos vidrados, viraste as costas ao mundo que construímos e desligaste o televisor, poupaste-me dessa telenovela mexicana do costume.

Levantei-me devagar, talvez a falta me esperasse no jardim, percorri todos os canteiros mas nada faltava, vi na piscina e a água estava como sempre esteve, límpida, transparente, à espera de um corpo que lhe interrompa a quietude. Não encontrei nada que me faltasse ali e sentei-me olhando o céu cinzento. Vai chover...

Vi através da janela da cozinha o teu carro a arrancar debaixo da tempestade, vi-te partir a grande velocidade, sem um aceno, sem nada, sem uma despedida decente. A culpa foi minha!

Cheguei à cozinha com o intuito de fazer o pequeno almoço, curvei-me para apanhar um papel que estava no chão, ia amarrotá-lo e deitá-lo ao lixo mas antes tive de o ler, "meu amor, já não te amo! Perdoa-me mas encontrei outra pessoa". E a tua imagem caiu sobre mim personificando a minha falta e com ela caiu tudo o que deveria ter sido e não foi.

Teve de ser assim pensei enquanto me deitava, se não me amavas, se querias partir não iria ser eu que te iria impedir, quando se ama sabe-se dar liberdade, eu dei-te... encostei-me à almofada e observando o espaço vazio ao meu lado com os olhos repletos de lágrimas deixei-me adormecer.

Nenhum comentário: