domingo, 22 de junho de 2008

Quase cinco anos depois do primeiro beijo, ela ainda sentiu aquela sensação do frio na barriga, da tremedeira, do ar não vir enquanto respirava. E não, ela não estava prestes a beijar ninguém. Elas estava apenas diante do autor, daquele que havia compartilhado seu primeiro beijo.

Há cinco anos atrás, sua mentalidade era infantil demais, ela era apenas uma criança. E realmente, ela sentiu todas aquelas sensações, nas quais uma exata criança sentiria. Hoje, ela não era mais criança... E então porque, todas aquelas sensações voltaram? Ela não sabia.

O que se passava em sua cabeça, era apenas a cena do beijo, e as piores cenas, de três anos e meio atrás, de quando ela corria atrás dele, como uma sombra, porque se dizia apaixonada por ele. E de fato, ela dava suspirinhos quando ele passava por ela, e torcia para que apenas, ele a olhasse, nem que fosse por frações de segundos.

Os anos se passaram, e ele foi embora. Havia dois anos, ou bem mais que isso, que ela não o via. Ela havia esquecido dele, mas não completamente. Então, lá vai ela, para uma festa junina, apenas para rever colegas, matar as saudades dos que iriam.

Antes, uma outra amiga, havia ligado para ela, e pedido para que lhe comprasse cigarros. E foi assim que ela fez. Chegou a padaria próxima ao colégio, e pediu um maço de cigarros. Ao entrar na padaria ela viu um rosto conhecido, e realmente não ligou. Rolou seus olhos para o lado daquela pessoa. Era ele.

Pronto, foi o suficiente, para ela começar a tremer. Ela havia reparado, que ele tinha a encarado nos olhos por algum tempo, e ela rapidamente desviou-os para pedir os cigarros. Supirou algumas vezes e a moça do caixa perguntou à ela se estava tudo bem. Ela sorriu e balançou a cabeça que sim, saindo rapidamente daquele local.

Ela contou para uma, duas, três, quatro pessoas. Todos pareciam não entender o que se passava dentro da cabeça dela. Então, ela desistiu de tentar explicar, ou de tentar entender. Desistiu também, qual foi o porque de ele ter aparecido assim, do nada e novamente, em sua vida.

Ela acreditava muito em destino, e acreditava que aquilo não foi por acaso.

Ela andava de lá para cá pelo colégio, cumprimentando um e outro, e sempre que olhava ao redor, ele estava próximo. Ela sentiu vontade de ir até ele, e ela também sentiu a mesma vontade nele, porém, apenas uma troca de olhares e um sorriso foi o "cumprimento" deles.

Ela voltou pra casa, e ainda esteve pensando nisso. Na verdade, ela está pensando até agora...
Já está mais do que provado que a coisa que todos temos certeza na vida, é a morte. Poucos acreditam que exista uma vida após essa, mas ainda sim todos tem plena certeza que há um fim de uma vida, dessa vida.

A outra certeza que é garantida é a mudança.

Talvez muitos conservadores, isolem esse fato, ou simplesmente finjam que ele não existe. Porém, existe. Mudança... Qual pessoa não muda na vida? Psicologicamente, fisicamente. Mudam suas idéias, mudam suas virtudes, aprendem a ser mais conservadores, ou talvez mais liberais. Aprendem também com as patadas da vida, com o sofrimento, e até, com talvez, uma paixão perdida.

O fato é que tudo muda. Não só em si mesmo, mas em toda a sua volta. Mesmo você obrigando-se a viver na sempre mesmisse, alguma coisa à seu redor vai mudar. Se não fosse, pela mudança, talvez ainda estivéssemos na idade da pedra, com as rodas de carros quadrdas, ou até um pouco mais a frente, achando que o mundo é quadrado.

Não há como fugir, mudança é algo certo, exato. Tão exato quando a matemática, tão certo quanto o apocalipse. Enfim, chegamos ao ponto indiscutível: Todos nós sofremos mudanças. Alguns para pior, mas a maioria sempre muda para melhor. Melhora diante dos fatos da vida, melhora por escolha própria e melhora até, por obrigação.

Pessoalmente dizendo, eu posso dizer, que ando mudando muito. Que... Mudei muito, de apenas alguns poucos anos para cá. De uma pessoa retraída, eu consegui me transformar, em um extrovertida. De chata, eu passei a ser legal, primeiramente comigo mesma, para depois ser legal com os outros. De isolada, passei a ter quase que uma centena de amigos. De sonhadora para realista, e, infelizmente de realista, para pessismista.

Eu deixei meu passado obscuro todo para trás, deixei amigos, que eu não queria, e deixei manias para trás. Infantilidade, brincadeiras sem nexo. Coisas de crianças, ou até mesmo pré-adolescentes. Hoje, aos dezoito anos, me vejo uma mulher. Não ainda formada, pois preciso de ainda muito toques de maturidade, mas ainda sim uma mulher, realizada.

Universitária, empregada. É uma obrigação, mudança. Eu, talvez ainda gostasse da folga do dia-a-dia, quando eu tinha meus apenas 15 anos, mas talvez eu goste mais da liberdade que tenho aos 18, mesmo com todas as grandes responsabilidades à frente.