domingo, 14 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
Sabedoria.
Tinha que passar em alguns lugares, mas o escuro me fez mudar de ideia e fui direto para casa. Ao abrir o portão, senti um pouco de receio e então percebi que quando a luz se apaga, a primeira coisa que perdemos é a coragem. Sentimos medo e deixamos de fazer aquilo que tínhamos planejado.
Ao abrir a porta da sala logo tropecei em pequenos objetos espalhados pelo chão. Então aprendi que quando a luz se apaga, perdemos a visão e sem ela tropeçamos em coisas que antes eram insignificantes e não representavam perigo algum. Cuidado, no escuro temos mais chances de cair.
Não havia velas em casa e sem luz não pude ler, ligar a televisão, ouvir música, nem usar o telefone, já que a minha linha depende de energia. Fiquei sem fazer nada por várias horas. Então aprendi que quando a luz se apaga perdemos tempo na vida.
Sem luz lá estava eu andando de um lado para o outro e pensando: Será que ninguém está fazendo nada para resolver essa situação? Cadê a concessionária de energia? Quando isso vai acabar? Então percebi que quando a luz se apaga perdemos também a paciência. Não conseguimos esperar e só questionamos: Será que Deus não está vendo? Por que isso aconteceu? Quando Ele vai fazer alguma coisa?
Então me lembrei que ainda tinha bateria no computador. Como também estava sem internet, comecei a procurar uns cd's de arquivos. Mas sem luz não consegui encontrá-los. Isso me fez recordar da parábola em que Jesus narra a história de uma mulher que havia perdido uma moeda dentro da própria casa. As maiores perdas não são as exteriores e sim aquelas que acontecem dentro de nós. Se perdermos o emprego ou até dinheiro certamente teremos outras chances. Mas se perdermos a fé, a esperança, os sonhos, o caráter e tantos outros sentimentos importantes que habitam em nosso coração, os danos serão bem maiores.
Diante daquela interminável escuridão, tive algumas dúvidas e perguntei a Deus: É melhor ter luz na rua, ou ter luz na casa? Então, senti rapidamente a resposta no meu coração. “Juliano, se todas as casas estiverem com a luz acesa, certamente a rua será iluminada. Mas a luz do poste não é capaz de penetrar em todos os cômodos da casa.”
Infelizmente muitas pessoas brilham apenas por fora, mas são apagadas por dentro. Possuem uma falsa alegria e vivem de aparência. Mas se a luz habita dentro de nós, mesmo que outros ainda não a vejam, chegará o tempo em que ela iluminará não apenas a nós, mas a todos aqueles que nos cercam.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no
lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo
com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por
comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Marina Colasanti
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
Seja um idiota (Arnaldo Jabor)
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazemos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que eles farão se já não tem por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde amanhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração.
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Conhecimento é poder
Espero aqui, ansiosa, o retorno da parte que me foi arrancada sem meu consentimento. Cada arrepio, impressão me deixa eufórica, esperançosa. Mas creio que para sua volta eu precise viver mais, viver mais para mim e não em função dos outros. Deixo assim de esquecer das horas, de fazer por fazer, de olhar e não ver nada. Vou esquecer de como preciso desse outro eu, fazer as coisas como devem ser feitas, sorrir, ter afeto e continuar a seguir meus dias. Quem sabe assim ela se lembre de mim e volte sem eu esperar...
Minhas atitudes são automáticas, não há pausa para reflexões, as palavras parecem vomitadas, meus olhos procuram o nada, sem rumo, sem qualquer ponto.
Espero aqui, ansiosa, o retorno da parte que me foi arrancada sem meu consentimento. Cada arrepio, impressão me deixa eufórica, esperançosa. Mas creio que para sua volta eu precise viver mais, viver mais para mim e não em função dos outros. Deixo assim de esquecer das horas, de fazer por fazer, de olhar e não ver nada. Vou esquecer de como preciso desse outro eu, fazer as coisas como devem ser feitas, sorrir, ter afeto e continuar a seguir meus dias. Quem sabe assim ela se lembre de mim e volte sem eu esperar...
Minhas atitudes são automáticas, não há pausa para reflexões, as palavras parecem vomitadas, meus olhos procuram o nada, sem rumo, sem qualquer ponto.
